Ao receber o Prêmio Nacional de Direitos
Humanos, como instituição de atendimento à pessoa portadora de deficiência,
Lizair Guarino, presidente da Pestalozzi de Niterói lembrou que o acadêmico
Marcos Almir Madeira, da Academia Brasileira de Letras, fundador e membro do
conselho de administração da Pestalozzi, recentemente falecido, durante as
comemorações dos 50 anos da instituição já se referia à Pestalozzi como uma
fábrica de cidadania e uma referência na área dos direitos humanos:
— Parecia que o doutor Marcos Almir Madeira, do alto de sua sabedoria, tinha a
convicção de que receberíamos tão grande honraria. Na apresentação do livro “50
anos de vida — uma história de amor”, escrito pelo jornalista Gilberto Fontes
sobre os 50 anos da instituição, o nosso então conselheiro escreveu: “Mais do
que nunca, sob o impacto de uma civilização nervosa, vítima da própria
materialidade do seu progresso, estamos a invocar e a reverenciar direitos
humanos; e um instituto de recuperação psico-física de menores e maiores de
ambos os sexos nitidamente se vincula à categoria político-jurídica dos
direitos vitais de todos os homens, de todas as mulheres, de todas as crianças.
A Pestalozzi é uma outra oficina, escola viva desses direitos, humanos por
definição e excelência; por isso, escola-vida – vida que se redescobre nas
mãos, nos pés, na palavra, sob a alegria do auto-reencontro”, dizia o
acadêmico, para indagar “que direito mais humano haverá?”
Pestalozzi de Niterói acumula prêmios
que reconhecem
seu trabalho em benefício das PPDs
Criada para oferecer ensino a crianças
portadoras de deficiência, a Pestalozzi de Niterói sempre acompanhou as
mudanças sociais, tecnológicas e de conceito na área, sem contudo se desviar da
filosofia pestalozziana. Se há 55 anos a Pestalozzi era apenas um internato de
crianças com deficiência, hoje a instituição está revigorada, é filiada a
organismos nacionais e internacionais ligados à área do portador de
deficiência, entre elas a Rehabilitation International, que assessora a ONU em
questões relacionadas ao portador de deficiência.
Os pacientes da Pestalozzi de Niterói têm acesso a modernos métodos e conceitos
de educação e reabilitação de pessoas portadoras de deficiência e, desde 1985,
a instituição mantém as Faculdades Pestalozzi para a formação de recursos
humanos qualificados para o mercado de trabalho e imbuídos da filosofia de John
Henrich Pestalozzi.
— Já recebemos diversos prêmios nacionais, entre eles o Bem Eficiente que nos
coloca entre as 400 mais importantes e organizadas entidades filantrópicas do
país. O prêmio nacional de Direitos Humanos enche-nos de orgulho e atesta a
qualidade de nossos serviços. O dia 10 de dezembro é sempre uma data
significativa para nós. Nesta data, em 1948, foi aprovado o primeiro estatuto
da Pestalozzi, escrito pelo doutor Marcos Almir Madeira, que dava a diretriz do
trabalho que seguimos até hoje, em defesa dos direitos humanos”, afirma Lizair.
Com uma equipe de profissionais
altamente qualificados, a instituição é referência junto à Unesco no
atendimento de bebês portadores de deficiência ou com atraso de
desenvolvimento. Eles recebem tratamento psicológico, fonoaudiológico,
terapêutico ocupacional, neurológico e de assistência social até atingirem a
idade de seis anos, quando são matriculados no ensino regular ou na própria
instituição, que mantém uma escola especializada onde a criança recebe o mesmo
acompanhamento terapêutico, além de aulas de educação física, oficinas de artes
e de informática, além de iniciarem a preparação para o mercado de trabalho.
A Pestalozzi também atende a comunidade
local nos seus consultórios médicos e nos seus centros de reabilitação de
fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, além das clínicas de
odontologia comunitárias. “Nosso trabalho é o de dar cidadania aos portadores
de deficiência para que possam, cada vez mais, se inserir na sociedade e no
mercado de trabalho”, afirma a presidente da instituição, Lizair Guarino, que
há 40 anos dirige a Pestalozzi.
De acordo com sua filosofia, a
Pestalozzi criou em 1985 a Escola de Ensino Superior Helena Antipoff, as
Faculdades Pestalozzi, formadoras de profissionais qualificados para o mercado
de trabalho e com os ideais do educador suíço Johan Heinrich Pestalozzi. As
faculdades mantém os cursos de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia
ocupacional, odontologia, artes visuais, administração em serviços de saúde e
tecnologia em informática, e seus alunos fazem estágios regulares nas
clínicas-escola de saúde e reabilitação da unidade.
Lizair participou da cerimônia
acompanhada pela Secretária de Assistência Social de Niterói, Heloísa Mesquita,
que representou o Prefeito Godofredo Pinto, e por diretores da instituição,
além da professora Marilene Ribeiro, que foi uma das personalidades premiadas.
Marilene foi secretária nacional de Educação Especial no governo passado e
dentre vários projetos por ela implantados destacam-se os laboratórios de
informática em instituições que atendem pessoas portadoras de deficiência e o
aumento do número de PPDs matriculados em escolas regulares.