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HELENA ANTIPOFF
Grande
pesquisadora e educadora da criança portadora de deficiência, a professora
Helena Antipoff foi a responsável pela implantação, no país, de uma política de
educação e assistência à criança portadora de deficiência. Além disso, fundou a
primeira Sociedade Pestalozzi do Brasil, em Belo Horizonte, Minas Gerais,
iniciando o movimento pestalozziano brasileiro, que conta, atualmente com cerca
de 100 instituições espalhadas por todo país.
Helena Antipoff nasceu em 1892 na província de Bielorrússia, em
Grodno. De família abastada, o pai era general do exército imperial, foi com a
mãe que ela aprendeu as primeiras letras, indo mais tarde, ao se transferirem
para São Petersburgo, hoje Leningrado, estudar em uma instituição com
professores de nível universitário. O método de ensino era o de "ativos e
passivos", e os estudantes eram levados a não dar crédito a afirmações
gratuitas e sem verificar a realidade. Os estudos filosóficos e psicologia eram
matérias de grande interesse dos alunos.
Aos 17 anos, Helena ingressou na Sorbone, Paris, e mais tarde
seguiu para Suíça a fim de estudar com o psicólogo Edward Claparèd, pioneiro do
estudo do mecanismo de aprendizagem das crianças. E foi à convite do psicólogo
que Helena passou a integrar a equipe de pesquisadores do Instituto Jean
Jacques Resseau, em Genebra.
Alguns anos depois, em 1917, Helena voltou à Rússia ao encontro
de seu pai que estava muito ferido. E foi lá que casou-se com o escritor Victor
Iretzky, com teve um filho chamado Daniel. Na Rússia, Helena trabalhou como
psicóloga, porém ao apresentar os resultados de suas pesquisas que constatava
que o nível mental dos filhos de intelectuais era mais alto em comparação aos
das outras crianças, foi duramente criticada e perseguida, sendo obrigada a
deixar sua terra natal.
Em 1926, Helena Antipoff voltou a fazer parte da equipe de
Claparèd desligando somente em 1929 quando veio para o Brasil, à convite do
Governo de Minas Gerais, para aplicar os seus conhecimentos no estado. A
educadora teria por desafio participar da implantação de uma Escola de
Aperfeiçoamento Pedagógico.
Naquela época, Minas Gerais tinha à frente da Secretaria do
Interior - responsável pela educação - o professor Francisco Campos, pessoa
interessada no desenvolvimento do ensino. A renovação pedagógica proposta pelo
secretário entusiasmava os professores que se sentiam estimulados à
aprendizagem. E parecia indispensável que os ensinamentos de novas técnicas e
concepções dos problemas pedagógicos viessem de países mais adiantados.
Além de Helena Antipoff, outros estrangeiros também foram,
convidados à participar da organização da nova escola, que seria um núcleo de
formação de professores e elemento de estímulo ao aprimoramento da cultura e
das técnicas de pedagogia e psicologia. E a educadora trazia grandes
contribuições, tendo em vista sua vasta experiência.
Anos após a fundação da Escola de Aperfeiçoamento, Helena
Antipoff, em novembro de 1932, com a colaboração de algumas antigas alunas da
Escola de Aperfeiçoamento, fundou a primeira Sociedade Pestalozzi do país, com
sede em Belo Horizonte. E já no ano seguinte passariam a atender às crianças de
grupos escolares e seus pais, em um consultório médico-psico-pedagógico.
Enquanto isso, no Laboratório de Psicologia da Escola de Aperfeiçoamento
Pedagógico, semanalmente havia reuniões com professores de grupos escolares que
se interessassem em discutir a educação de portadores de deficiência.
A partir do segundo semestre de 33, passam a existir também,
classes para alunos portadores de deficiência e no ano seguinte, se dá a
construção de um pequeno prédio com salas e consultórios médicos e
psicológicos, além de laboratório para pesquisas comuns e endocrinológicas. Nas
áreas da Pestalozzi os alunos com desajustamento de conduta ou incapacidade de
aprendizagem completavam suas atividades escolares e de educação psico-motoras,
com atividades manuais e agrícolas em regime de semi-internato. Existiam também
oficinas, hortas e serviços domésticos, partes integrantes da educação.
Influenciado pela Sociedade Pestalozzi fora criado em 1935 o
Instituto Pestalozzi de Belo Horizonte, que funcionava como órgão da Secretaria
de Educação onde eram realizadas pesquisas de psicopatologia e genética,
endocrinologia, farmacologia e em psicologia de aprendizagem, sob orientação
técnica da Pestalozzi.
Outras iniciativas de assistência educacional também partiram da
educadora. Em 34, preocupada com a situação dos menores vendedores de jornais,
fundou a Caso do pequeno Jornaleiro que se destinava a proporcionar abrigo,
alimentação e escola para os pequenos trabalhadores. Também no mesmo ano criou
a Associação Mineira destinada aos escoteiros e outra, mais tarde só para os
menores portadores de deficiência, o Escotismo Fernão Dias. Também partiu de
Helena Antipoff a fundação da Casa de Repouso para escritores, artistas e
professores, bem como se deve a ela, a instituição da cadeira de Psicologia
Educacional na Universidade de Minas Gerais.
Em 46, junto com o professor e psicólogo Emílio Mira Lopes,
Helena cria no Rio de Janeiro, o Centro de Orientação Juvenil (COJ), que
vinculado ao Departamento Nacional da Criança tem o objetivo de estudar
técnicas de trabalho, demonstração e treinamento de pessoal de orientação
psicológica, atendendo não só aos menores como seus pais e responsáveis.
No fim da década de 30, Helena Antipoff passa a se preocupar com
as crianças do campo e "tinha em mente a fixação do homem no campo, em melhores
condições de vida, através da escola". Mas para isso, seria necessário "elevar
as condições de preparo do professor rural sem que precisasse deslocá-lo de seu
ambiente". Pensando nisso, surge a idéia de criar uma escola rural.
Através de uma campanha, consegue-se dinheiro para a compra de
45 alqueires de terra à 26 quilômetros de Belo Horizonte, em Ibirité, e em
janeiro de 40 a Fazenda do Rosário inicia seu trabalho com cinco meninos
estudando em sistema de internato.
A educação ministrada era uma experiência pioneira não só em
Minas como no Brasil. As matérias eram todas estudadas em função da zona rural
e as atividades agrícolas como criação de gado, trabalho em puericultura, entre
outras, eram um marco na história da pedagogia.
Em 74, através da quantia recebida pelo prêmio Hennin Albert
Boilesen, de educação e cultura, Helena Antipoff implanta um laboratório de
pesquisas ecológicas na Fazenda do Rosário.
Já em 55 Helena Antipoff sentiu necessidade de criar uma
Federação das sociedades que unisse esforços e experiências das entidades,
porém, mesmo após inúmeras reuniões, faltavam adeptos à idéia e assim o projeto
ficou esquecido durante alguns anos.
Em 70 tornou-se urgente a criação da Federação e em agosto, após
convocação de todas as entidades Pestalozzi, foi fundada, no Rio, a Federação
Nacional das sociedades Pestalozzi (Fenasp), que iria então promover a expansão
das instituições dando apoio técnico e se preocupando com uma política de
educação justa para os portadores de deficiência. E com a presença de
representantes das Sociedades Pestalozzi de São Paulo, do Brasil (no Rio), de
Resende e do Estado do rio de Janeiro, foi eleita para presidir a nova entidade
a presidente da SPERJ, Lizair de Moraes Guarino. E a partir daquele momento
tornava-se realidade mais um ideal de Helena Antipoff e se iniciava o movimento
Pestalozziano brasileiro.
Em 74 a grande educadora veio a falecer em Ibirité, Minas,
deixando, no entanto, não só para àqueles que conviveram com ela, mas também às
outras pessoas, uma nova visão das questões relacionadas com a educação. De
Helena Antipoff o ex-governador de Minas, Milton Campos, dizia: "ela plantou
dez mil sementes no nosso sertão. Todos os professores e alunos cujas vidas ela
tocou hão de continuar agora, sua obra."
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